É interessante observar o aumento dos preços dos combustíveis nos postos brasileiros. Isso mesmo, interessante é observar, pois sentir na pele este aumento é cada dia mais difícil. A alta nos preços está cada dia mais acentuada, e na maioria das cidades brasileiras abastecer o carro com álcool não é rentável. O que explica esta alta tão grande e o que é necessário fazer para freá-la?
A alta no preço do álcool tem alguns motivos, principalmente a produção do açúcar: obviamente, o produtor colocará no mercado aquilo que lhe trará mais lucros. Com um mercado de açúcar mais interessante, é claro que ele optará por produzi-lo, deixando a produção do álcool defasada. Com a diminuição do álcool nas bombas dos postos, o preço ao consumidor tende a subir. A maior atratividade do comércio de açúcar se deve basicamente à exportação, principalmente em direção à Índia. Há também um fator climático: o excesso de chuvas. Com o aumento das chuvas, a concentração de sacarose no pé diminuirá, fazendo com que caia a produtividade, tanto de açúcar como de álcool. Já o preço da gasolina tende a ser mais ou menos estável, por causa da Petrobras.
O preço dos combustíveis subiu muito mais do que a inflação, em média 30% a mais, o que acentua ainda mais a percepção à alta dos combustíveis. Agora, a questão é pensar em quando a situação vai se normalizar. Na teoria, o preço do álcool tenderia a baixar. Questão da famosa Lei de Oferta e Procura. Como hoje é mais vantajoso abastecer com Gasolina na maioria dos Estados brasileiros, a procura pelo álcool tende a baixar. O problema é que isto não funciona assim na prática. Como a Gasolina é mais cara que o álcool, mesmo sendo mais vantajosa, nem todos os brasileiros que possuem carro possuem condições de encher o tanque do carro com Gasolina toda semana. Oura questão é a entrada do Inverno. Pode parecer que não, mas com a entrada do Inverno, o preço do álcool pode cair pela mesma lei de oferta e procura. Com o Tempo mais frio, carros movidos à álcool tem uma grande dificuldade para dar partida. Pessoas que possuem carros flex, muitas pessoas hoje, principalmente devido ao incentivo do Governo após a Crise Americana de 2008, preferem abastecer com Gasolina, para evitar problemas de stress com seu carro logo de manhã.
O ruim mesmo é pensar que tudo no Brasil tem um aumento de preço quando os combustíveis estão em alta. A malha de escoamento de produtos no Brasil é essencialmente rodoviária. Qualquer aumento no preço dos combustíveis é repassado aos consumidores, para que o lucro das empresas em geral não seja prejudicado.
Temos que ter consciência de que flutuações nos preços dos combustíveis (assim como de todas as coisas) são normais. A normalização ou estabilização vem com o tempo. A entressafra da cana de açúcar já acabou, o que pode aumentar a quantidade de álcool nos postos. A Petrobras está com um projeto de aumentar sua produção de etanol, talvez para tentar controlar os preços, assim como faz com a Gasolina. Hoje, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) criou um grupo para definir a regulamentação do etanol. Agora, o etanol deixa de ser um ‘produto agrícola’ e passa a ser um ‘combustível estratégico’. A grande questão é quando o problema vem de fora: mudanças políticas no Oriente Médio (morte de Bin Laden e a unidade partidária na Palestina) e os conflitos no Norte da África podem ocasionar uma alta no preço do petróleo. Na medida do possível, a Petrobras pode tentar amenizar a situação para que o consumidor não sinta esta possível alta nos preços, mas temos que lembrar que ainda somos dependentes do petróleo importado. As dinâmicas dos preços são inevitáveis, nós apenas temos que nos adaptar a elas.
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